FAMÍLIA ESTELAR/SOMOS UM

segunda-feira, 26 de junho de 2017

COMO LIDAR COM O SENTIMENTO DE CULPA Por Teresa Cristina Pascotto

A culpa é um dos sentimentos que mais nos aniquila e nos bloqueia. A pior é a que não conhecemos ou negamos. Fugir do sentimento de culpa, não nos deixa mais livres, pois a dificuldade não está em sentir a culpa, mas sim, em que ao senti-la, poderemos vir a conhecer os verdadeiros motivos de sua existência.

Se a culpa e os motivos estiverem ocultos, é porque o Ego compreendeu que é melhor mantê-los assim, para nos manter bloqueados, pois ele não quer mudanças que o tirem do poder.

A culpa faz com que acreditemos que não somos merecedores de uma vida melhor e, com isso, nem ousamos promover reais mudanças em nossa vida. Este é um mecanismo de auto-sabotagem. Quanto mais buscamos desenvolvimento, mais o Ego teme perder o poder e, dessa forma, lança mão de um mecanismo em sua defesa e faz com que sentimentos de culpa inexplicáveis e confusos, venham à tona.

Se isto vier a ocorrer, podemos aproveitar para usar a culpa que aflora em nós, em nosso benefício. Como? Simplesmente, sentindo-a em sua totalidade e aceitando-a plenamente.

Permitindo que esse sentimento se manifeste o mais integralmente possível, mesmo que as sensações sejam muito ruins, a ponto até de nos sentirmos atormentados de culpa, estaremos mais conscientes da real potência destrutiva que ela causa em nós.

E, enquanto prosseguimos sentindo isso, com nossa consciência nos sustentando, pela compreensão de que o que está acontecendo, apesar de desagradável, será libertador, poderemos dar suporte a essa liberação, com uma fala interna, acolhedora: estou sentindo uma culpa que está me deixando atormentado, mas eu a aceito em sua totalidade e estou disposto a conhecê-la inteiramente, permitindo que se manifeste, sem limites, pois compreendo que quanto mais eu a deixar extravasar, mais poderei me libertar dela e, principalmente, poderei conhecer os reais motivos que me fazem senti-la nessas proporções.

Eu aceito a culpa que sinto e a acolho, sem lutar e sem me criticar ou julgar.

A partir desta aceitação, da culpa e do tormento que ela nos causa, é possível investigar sua origem, quais as verdadeiras causas de nos sentirmos tão culpados.

Então, seguindo nesse processo, enquanto sentimentos conflitantes, que se misturam à culpa, se manifestam, podemos, ainda com total aceitação, aproveitar para nos fazermos perguntas do tipo:

De onde vem essa culpa? Do que estou fugindo? O que não estou querendo aceitar? Quais os reais motivos que fazem com que eu sinta tamanha culpa? O que creio ter feito de tão errado? Esse sentimento é real ou é uma ilusão criada pelo meu inconsciente, para me manter aprisionado? Se eu me libertar dessa culpa, o que poderá acontecer de tão ruim comigo? Quais as crenças negativas que tenho com relação a me perdoar de todo e qualquer erro que eu possa ter cometido, caso aceite e me liberte da culpa?

As perguntas contêm as respostas e tem o poder de dissolver bloqueios, quando feitas apenas com a intenção de descobrir a verdade, sem nenhuma expectativa de obter respostas racionais. O recado para o Ego é de que estamos de olho em sua sabotagem e sabemos que ele nos aprisiona através da culpa.

Mesmo não sendo necessário conhecer racionalmente as respostas, muitas vezes, algumas lembranças, entendimentos e percepções poderão ocorrer. Se assim acontecer, apenas devemos observar tudo o que aflorar, sem tentar organizar e racionalizar os conteúdos que vierem à tona.

Poderemos ter apenas lapsos de lembranças, parte de ideias e percepções, alguns outros sentimentos poderão aflorar, poderemos começar a compreender alguns aspectos. Talvez, em um momento poderá parecer que estamos fazendo "amarrações" perfeitas de tudo que está aflorando em termos de percepções e compreensões, e no momento seguinte parecerá que estamos totalmente perdidos, sem mais saber onde está o "fio da meada".

Se essa sensação de confusão ocorrer, será um indicador de que estamos no caminho certo, então, deveremos aceitar e encarar como algo natural. Estou pontuando isto, pois sei que muitas pessoas, quando fazem buscas internas profundas, se sentem assim e isso as faz acreditar que ficaram mais confusas do que antes de mergulhar em si mesmas, e tentam racionalizar.

Essa sensação de confusão ocorre, porque estamos acostumados a compreender a vida a partir da estrutura rígida de nossa mente racional. Tudo o que "entendemos perfeitamente", aceitamos como ok. Portanto, tudo o que fica difícil de se compreender, rejeitamos, pois acreditamos que algo está errado e, assim, não ok. É somente esta referência que temos.

Porém, isto é um grande equívoco, em se tratando de autoconhecimento. Neste contexto, tudo o que o Ego quer, é que busquemos nos conhecer, desde que isso traga benefícios para ele. Então, tudo o que fugir à velha e conhecida trilha mental, traçada pelo Ego - na qual ele "entende tudo" e determina se é ok -, será classificado como algo que não tem valor e poderemos acreditar que de nada adiantou mergulharmos em nosso inconsciente, e confrontarmos a culpa e o medo de encontrar os motivos dela.

Então, caso, nessa busca, a sensação seja a que mencionei acima - de ficarmos mais confusos do que antes - este será o indicador de que muitas respostas e verdades foram liberadas. Somente o Ego não entendeu.

Ótimo, melhor assim, pois algumas vezes, tudo o que o Ego entender, poderá significar que o fez de forma distorcida, para sua conveniência. Se parecer que não compreendemos quase nada, racionalmente, significará que a compreensão real, ficou a cargo do nosso Eu Interior. É neste nível de consciência, que tudo o que é compreendido, traz mudanças verdadeiras, mesmo que não entendamos como isso ocorreu.

Isto significa que, quanto mais nos entregamos ao nosso Eu Real, em toda e qualquer busca interna, mesmo que estejamos nos sentindo muito estranhos e até mesmo desequilibrados, é que encontraremos os verdadeiros meios de soltar nossas amarras.

Estar em contato com nosso Eu Real, não quer dizer que sempre deveremos estar em um estado "elevado". Para acessar conteúdos muito ocultos e destrutivos, é imprescindível que tenhamos o apoio de nosso verdadeiro Eu, para que ele nos sustente nessa busca. E, assim, a compreensão será dele, enquanto o Ego estará se sentindo perdido e confuso, lutando desesperadamente pelo resgate de seu poder.

Teresa Cristina Pascotto - crispascotto@hotmail.com

http://www.decoracaoacoracao.blog.br/2017/06/como-lidar-com-o-sentimento-de-culpa.html

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MEDITAÇÃO GUIADA - LIBERTAR-SE DA CULPA / KELI SOARES